Os policiais sérios que eu conheço, mesmo os que são envolvidos, às vezes, em casos de violência ou letalidade, não falam nada para ninguém, ficam quietos. É muito mais daqueles que na linguagem policial são chamados de fanfarrões do que de policiais sérios, que não ficam se vangloriando de ocorrência em que tiveram de utilizar força ou força letal.
Rafael Alcadipani
A repercussão positiva dessas publicações evidencia também uma demanda de parte da sociedade, que vê na violência uma resposta eficaz à criminalidade.
“Não tenho dúvida de que parte da sociedade legitima esse tipo de comportamento”, afirma o ouvidor das polícias. “Mas a gente está há 40 anos falando que bandido bom é bandido morto, praticando isso, e as pessoas estão cada vez mais inseguras. Fica claro que não estamos dando uma resposta efetiva nem para o crime ou para a segurança das pessoas.”
Alcadipani concorda: “Parte da população que está cansada do crime, com razão, quer soluções rápidas e fáceis. Essas figuras oferecem isso, mas que a gente vê que nunca dá certo. Se matar resolvesse, o Brasil seria o país mais seguro do mundo”.
Além disso, explica o professor da FGV, a projeção pelas redes sociais é uma estratégia usada por muitos agentes de segurança pública para tentar se eleger a cargos públicos. “E quanto mais escabroso e absurdo for o que eles falam, maior vai ser a atenção e o número de seguidores que vão ter. Então, infelizmente, a gente tem isso na polícia: essa imagem caricatural do policial para o sujeito conseguir um cargo eletivo.”
Risco à imagem
A Defenda PM (Associação de Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar), formada por cerca de 2.000 oficiais, disse em nota que defende que “os princípios e filtros da verdade, o devido processo legal e o direito à ampla defesa” devem ser observados para que as publicações de policiais “não resultem em difamações, calúnias, injúrias, na destruição de reputações e exposição ao ridículo dos operadores de segurança pública”.
