- Onde e quando o problema surgiu?
- Quantos estados foram atingidos?
- Quem investiga?
- O que dizem os órgãos?
- Quais as possíveis origens?
- Quais os riscos para as pessoas?
- Quais os riscos para os animais?
- Problema está diminuindo ou aumentando?
- Já houve casos assim no Brasil?
Veja as respostas abaixo:
1. Onde e quando o problema surgiu?
Inicialmente, o Ibama divulgou que as primeiras manchas apareceram em 2 de setembro nas cidades de Ipojuca e Olinda, em Pernambuco. Em atualizações mais recentes, o instituto concluiu que as os primeiros registros nas praias surgiram em 30 de agosto na Paraíba, em Tambaba e Gramame, no município de Conde, e na Praia Bela, em Pitimbu.
2. Quantos estados foram atingidos?
O balanço de 22 de novembro apontou que o óleo já atingiu 724 localidades em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
No dia 22 de outubro, o governo federal reconheceu a emergência em seis das 12 cidades da Bahia atingidas pelas manchas de óleo: Camaçari, Conde, Entre Rios, Esplanada, Jandaíra e Lauro de Freitas. Com isso, recurso federais serão liberados para as cidades que, até então, têm custeado a limpeza das praias.
Desde o início do desastre o governo federal está sendo cobrado por ações em reposta às manchas de óleo.
Em 18 de outubro, o Ministério Público Federal (MPF) dos nove estados do Nordeste moveu uma ação conjunta pedindo que a Justiça Federal obrigue a União a acionar em 24 horas o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo, com multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento da ordem.
Até meados de novembro, de acordo com o Grupo de Avaliação e Acompanhamento (GAA), formado pela Marinha do Brasil (MB), Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Ibama, foram empregados:
- 3,1 mil militares da Marinha
- 26 navios–22 da Marinha e 4 da Petrobras
- 6 helicópteros – 2 da Marinha, 2 Ibama e 2 da Petrobras
- 7 aeronaves – 6 da Força Aérea Brasileira (FAB) e 1 do Ibama
- 5 mil militares do Exército Brasileiro (EB)
- 140 servidores do Ibama
- 40 do ICMBio
- 440 funcionários da Petrobras
Há ainda pesquisas sobre o material em andamento na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade Federal da Bahia (UFBA).
4. O que dizem os órgãos?
As investigações mostram que:
- Em 15 de julho, o navio-tanque grego atracou no Puerto José (Venezuela) e foi carregado com petróleo durante três dias
- O sistema de rastreamento da embarcação estava ligado e confirma a passagem pelo ponto de origem do óleo
- O navio fez uma parada na África do Sul (a data não foi informada)
“Pode ser algo criminoso, pode ser um vazamento acidental, pode ser um navio que naufragou também. Agora, é complexo. Temos, no radar, um país que pode ser o da origem do petróleo e continuamos trabalhando da melhor maneira possível”, disse Bolsonaro.
Porém, a Shell afirmou que provavelmente seus barris foram reutilizadas por terceiros, pois os barris são de lubrificantes, ela mesma não faz esse tipo de reaproveitamento de embalagens e tampouco transporta barris em rotas transatlânticas.
5. Quais as possíveis origens?
O navio grego Boubolina zarpou em 18 de julho e carregou 1 milhão de barris de petróleo na Venezuela.
As informações sobre os detalhes do navio, sua carga e trajetória foram fornecidos pela agência de geointeligência Kpler, a pedido do G1, com base nos dados da Operação Mácula, desencadeada pela Polícia Federal. A embarcação Bouboulina passou a oeste da Paraíba em 28 de julho, segundo um porta-voz da agência.
Pesquisador aponta navio como responsável por mancha no Nordeste
O monitoramento de imagens de satélite da costa brasileira para investigar a origem das manchas de óleo no Nordeste não mostra indícios da substância na superfície marinha. O resultado da análise do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) reforça a teoria de que o óleo não veio boiando pelo oceano até atingir as praias, mas que estava submerso.
6. Quais os riscos para as pessoas?
O petróleo bruto é uma complexa mistura de hidrocarbonetos, que apresenta contaminações variadas de enxofre, nitrogênio, oxigênio e metais. A substância é tóxica. Compostos encontrados no óleo combustível são voláteis e podem ser inalados durante o manuseio de resíduos sem proteção correta.
Listada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) como uma substância altamente perigosa, o benzeno, é responsável por provocar anemia e aumenta as chances de infecções e de desenvolvimento de cânceres sanguíneos como a leucemia.
É importante que a população evite contato direto com o material encontrado nas praias. O Ibama orienta que banhistas e pescadores não toquem ou pisem no material.
7. Quais os riscos para os animais?
Os animais marinhos podem ser afetados tanto pela ingestão da substância quanto pelo contato com líquido que gruda e compromete a locomoção.
A oceanógrafa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Maria Christina Araújo alerta que o ecossistema do litoral brasileiro é frágil. “No manguezal, um ambiente com biodiversidade excepcional, é praticamente impossível remover o óleo. O dano pode ser irreparável e os ecossistemas levarão anos para se recuperar”, afirma.
O óleo já atingiu ao menos 39 animais, de acordo com balanço do Ibama do dia 21 de outubro:
- 5 aves foram encontradas mortas
- 3 aves foram resgatadas com vida
- 18 tartarugas-marinhas foram encontradas mortas
- 11 tartarugas-marinhas foram resgatadas com vida
- 1 peixe foi encontrado morto
- 1 réptil foi encontrado morto
- 2.190 filhotes de tartarugas-marinhas capturados preventivamente na Bahia
- 624 filhotes de tartarugas-marinhas capturados preventivamente em Sergipe
O projeto Tamar suspendeu a soltura de filhotes. O engenheiro de Pesca do Tamar, Augusto Cesar Coelho, diz que a quantidade de óleo em praias de SE e da BA foi “tão significativa” que 600 filhotes nasceram e não foram liberados.
Caso seja encontrado algum animal com óleo, a orientação é que sejam acionados imediatamente os órgãos ambientais para adotar as providências necessárias. “O animal não deve ser lavado nem devolvido ao mar antes da avaliação de veterinário”, diz o Ibama.
8. O problema está diminuindo ou aumentando?
O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou em 8 de outubro que é um “desastre muito preocupante” e não há sinais de que está retrocedendo.
A impressão é confirmada por quem acompanha a situação nas praias: as manchas estão “cada vez maiores”, diz presidente do Instituto Biota de Conservação, Bruno Estefanis.
9. Já houve casos assim no Brasil?
Em abril, manchas de óleo surgiram na Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, atingindo as praias de Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios. O acesso às praias chegou a ser interditado durante uma manhã para a retirada do material, de acordo com a Secretaria de Ambiente de Arraial do Cabo. Após analise, foi comprovado que as placas de óleo eram resíduos de operações da Petrobras. No atual caso, a Petrobras afirma que não tem ligação com o problema.
