Se essa desculpa vira uma imposição e, quando você cobra desculpa você cobra aquilo que sabe que chegará, então, tudo bem. Você acaba vencendo esse pequeno entrever, essa batalha. Se, no entanto, você não tem como forçar o outro a pedir desculpas — o Brasil não tem e o Lula não tem — e cabe ao outro decidir se pede desculpa ou não, você transfere àquele que ofendeu a iniciativa de pedir ou de não pedir desculpas. Você, na verdade, vira um objeto passivo da vontade do outro. E o Lula deveria saber isso já. Ele não tem que, pessoalmente, cobrar pedido de desculpas do Milei sem o que, ao fazê-lo, ele dá palco pra esse delinquente intelectual, esse delinquente político, que está levando a Argentina à ruina e, no entanto, vive de criar casos mundo afora. Reinaldo Azevedo, colunista do UOL
Reinaldo lembrou que, nesse embate direto, fica parecendo que Javier Milei ganhou e que o presidente brasileiro está ressentido.
Há alguns temas que o presidente precisa botar o pé no chão ali e raciocinar com mais frieza. O Lula é o político mais inteligente que há no Brasil — eu digo de inteligência política, de sagacidade. Só que há algumas marcas que ficaram de embates recentes, e especialmente depois da prisão, que eu acho que tiraram um pouco certa sintonia fina. (…) Você não compra briga com alguém menor do que você. Não faz sentido, não faz sentido como regra.
É alguém menor do que você que tem que comprar briga com você, não o contrário. Comprando briga com alguém menor do que você, você transfere parte do seu poder e da sua grandeza pra aquele que certamente será muito satisfeito em, sendo tão pequeno, ser notado por alguém tão grande. O Lula é gigantescamente maior — se eu posso usar essa expressão hiper hiperbólica — do que aquele vagabundo. Então, não tem que comprar essa briga. Reinaldo Azevedo, colunista do UOL
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