Desertificação
Para os especialistas, apesar das condições climáticas adversas da nova região árida, não é possível classificá-la como deserto, onde o clima é ainda mais seco, hiperárido. No entanto, de acordo com o Insa (Instituto Nacional do Semiárido), 85% do semiárido brasileiro atravessa um processo de desertificação, o qual “resulta na perda da fertilidade do solo e da biodiversidade, e no êxodo rural”.
Essa degradação da região atinge os cerca de 27,8 milhões de habitantes que vivem nos 1.267 municípios do semiárido. Desses, 62% estão nas cidades, mas 38% estão no campo. A desertificação da região, impulsionada também pelo desmatamento, pode tornar a terra improdutiva e inviabilizar a agropecuária.
A área classificada como semiárida está em expansão em direção ao oeste do Nordeste, pelos estados do Piauí e da Bahia e também no norte de Minas Gerais, a uma velocidade de 75 mil km² por década. Mas o estudo do Cemaden não se restringiu apenas a descrever a situação na região árida.
O levantamento também se debruçou sobre as condições de aridez de outros estados e constatou que o Centro-Oeste e a Amazônia também atravessam uma mudança no clima para regimes mais secos. O clima semiárido avança sobre áreas do clima subumido seco, que encolhem a uma velocidade de 12 mil km² a cada dez anos. Por isso, os autores do estudo afirmam que há uma aceleração do processo de secamento do clima.
Adaptação climática
Em Juazeiro, Ana Lucia tenta encontrar soluções para conviver com as altas temperaturas e a falta de chuvas. “Buscamos novas culturas que sejam resistentes a esse clima, como espécies de plantas forrageiras para alimentar os animais, hortaliças, usamos o canteiro econômico com lona para evitar infiltração, e usamos a matéria que a gente capina na cobertura dos canteiros e do roçado. Estamos replantando novas espécies, principalmente da Caatinga”.
